A primeira versão de Menina Wi-Fi era uma tirinha ilustrada.
Lá por 2015, uma amiga querida estava grávida. Trabalhava muito e praticamente não se desgrudava do celular. A gente brincava dizendo que a filha ia nascer com sinal Wi-Fi próprio. A piada ficou na minha cabeça.
Aquilo me deu um clique. Eu comecei a pensar na geração que já nascia conectada. Crianças que não conheceram um mundo sem tela, sem rede, sem notificação. Geração Z. Zennials. Uma infância encantada pelo digital desde o início.
Desenhei a tirinha, guardei.

Quase oito anos depois, surgiu um concurso literário. Resolvi retomar aquela ideia e escrevi um conto. O conto cresceu, ganhou corpo, conflito, personagens. Virou livro.
Menina Wi-Fi nasceu assim.
O que me interessava ali era observar a conexão além da tecnologia, como ambiente, clima e uma paisagem invisível onde a infância acontece.
Não queria escrever um livro moralista sobre celular. Nem um manifesto contra telas. Queria contar uma história sobre pertencimento, sobre comunicação, sobre o desejo de ser visto em um mundo que nunca se desconecta.
A protagonista carrega essa ambiguidade: potência e vulnerabilidade. A rede amplia, mas também expõe. Conecta, mas também isola. Aproxima, mas pode confundir identidade e presença.
Hoje, Menina Wi‑Fi está publicado pela Ases da Literatura, com o selo Ventania, infanto juvenil. Está a caminho de mil cópias vendidas, entrou no acervo da Biblioteca Pública e da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis e passou a integrar o currículo da 6ª série em duas escolas da cidade.
Isso, para mim, é simbólico, a história que começou como uma brincadeira sobre “nascer com sinal” hoje circula justamente entre jovens que já nasceram dentro dessa paisagem digital.
Mas o universo de Menina Wi-Fi não termina no livro.
Eu sonho em expandi-lo. Transformá-lo em quadrinhos, talvez em animação. Criar workshops para escolas, conversas sobre o poder e os cuidados da era da conexão.
Porque a conexão não vai desaparecer. A pergunta é: como convivemos com ela?
Justamente a pergunta que me fez escrever Menina Wi-Fi.

Um universo sensível sobre crescer em rede.
Entre conexões digitais, afetos silenciosos e solidão compartilhada, Menina Wi-Fi observa a infância e a adolescência atravessadas pela tecnologia, com delicadeza e escuta.
Uma história sobre pertencimento, comunicação e os laços invisíveis que nos mantêm conectados.

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