Criações Literárias

Entre histórias, universos e criação.

A primeira imagem de Allison veio de um sonho.
Lá por 2016 e 2017, sonhei com um futuro próximo, cotidiano. Funcional. Três amigos estavam sentados em um bar, conversando e bebendo. Entre eles, tinha essa garota, Allison. (o nome veio do sonho mesmo).

Nesse mundo, era possível instalar programas em si mesmos, bioprogramas que mexiam com o DNA. Chamei isso de bioaprimoramento.

Ia desde atualizações cognitivas, emocionais e físicas até programas de foco, memória e desempenho. Quem podia pagar, evoluía. Quem não podia, recorria a versões piratas, instáveis, adulteradas. Esses amigos, por exemplo, queriam um programa que permitisse voar (o que inspirou algumas questões do conflito inicial no livro).

No sonho, Allison tomou um drink. A bebida estava contaminada por um biovírus derivado dessa tecnologia. Era como se o corpo dela fosse hackeado. Uma falha. Um desvio. Um efeito colateral de um sistema que já não distinguia claramente onde terminava o software e começava o corpo.

Foi assim que surgiu o conceito de HUPGrade — Human Potential Hupgrade.
Peguei esse sonho — que anotei assim que acordei, ainda rascunhado — e desenvolvi todo o enredo como um treino de construção de universo, descrição de cenários, mundos e personagens, durante um curso aprofundado de escrita criativa e narrativa que fiz em 2020. Foi assim que nasceu meu primeiro livro.

O que me interessou desde o início era o efeito da tecnologia sobre a identidade. A tecnologia enquanto rotina, enquanto exigência quase. No universo HUPGrade, ela se torna um critério de pertencimento.

Estudos sobre o universo do livro e a cidade onde acontece a história – Florianópolis, em 2099.

A melhoria contínua deixa de ser escolha e passa a ser uma condição de convívio social. O corpo deixa de ser o limite. A mente deixa de ser território privado e a própria identidade se torna algo editável. Tudo o que Allison literalmente odeia. Esse é o conflito dela, ligado às suas origens indígenas e à sua conexão profunda com a natureza.

Allison é alguém tentando entender o que ainda é seu quando quase tudo pode ser modificado. Ao redor dela, outros personagens reagem de formas diferentes a esse sistema: aceitação, exploração, resistência, adaptação.

O universo de HUPGrade nasce dessas tensões.

Capa final, Editora Lumus, 2024

Escrever Allison foi uma forma de trabalhar essas questões. Não me interessava criar um futuro distante, cheio de tecnologias impossíveis. A intenção sempre foi construir um amanhã plausível, reconhecível, com uma lente ampliando tudo o que já vivemos hoje, com a tecnologia e as máscaras sociais e digitais.

Um mundo em que a pergunta central é o que a tecnologia começa a decidir por nós quando passa a fazer parte de quem somos.

Allison é o primeiro ponto de entrada nesse universo do HUPGrade. Outros personagens, histórias e camadas orbitam esse mundo. Nem tudo é revelado de imediato, nem deve ser.

Tudo começa ali: um bar, três amigas, um drink e uma atualização que ninguém escolheu instalar, em si mesmo.

Cartazes promocionais no lançamento do livro, na livraria Leitura Floripa.

Para comprar uma cópia autografada diretamente com o autor, clique no botão abaixo.

Comments

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *